Vão estar 2 semanas na China e querem saber como podem organizar o vosso roteiro? É natural sentirem-se um pouco perdidos. Eu percebo perfeitamente.
A China é enorme e, independentemente do tempo que lá passem, nunca vão conseguir ver tudo… nem em duas semanas, nem em dois meses, nem sequer num ano.
A barreira linguística é gigante, a logística de transportes pode parecer confusa no início, e tentar perceber como organizar uma viagem à China pode parecer um trabalho bem árduo. Já passei por isso. Esta foi uma das viagens mais difíceis de planear até hoje.


Mas aqui vai uma boa notícia: 14 dias chegam para ficarem com uma boa primeira impressão do país.
Este roteiro de 2 semanas na China é uma versão otimizada do que eu própria fiz. Junta algumas das melhores cidades para visitar na China (como Pequim e Xangai) com momentos na Natureza em Zhangjiajie e paisagens inacreditáveis em Guilin.
É um roteiro preenchido, mas completamente viável. E, acima de tudo, com espaço para aproveitarem a viagem sem muito stress.

Então, o que podem esperar deste roteiro?
- Visitar a Grande Muralha da China pela primeira vez.
- Ver os pilares de arenito de Zhangjiajie a surgirem por entre o nevoeiro.
- Passear de barco pelo rio Li, rodeado pelas montanhas cársicas de Yangshuo (Guilin).
- Noites iluminadas por néons em cidades extraordinárias como Xangai ou Chongqing.

Dou também a nota de que este artigo está mais focado no roteiro e na ordem das paragens: como organizar os vários dias da viagem para que tudo flua naturalmente e sem correrias.
✨ Escrevi guias detalhados sobre cada destino incluído neste roteiro, por isso vou deixar os links ao longo do texto com mais informações, sugestões de hotéis e atividades.
Antes de passarmos ao roteiro, recomendo uma leitura rápida do meu guia com dicas práticas para viajar na China. Lá irão encontrar dicas sobre como ter internet, como pagar, diferenças culturais e tudo aquilo que gostava de ter sabido antes de aterrar. Estas dicas vão facilitar bastante toda a viagem, acreditem!
Com pressa? Organizem já a vossa viagem à China!
Sem tempo para ler o guia completo? Aqui ficam as minhas principais recomendações para aproveitarem ao máximo a vossa visita à China.
📍Principais locais de interesse: Xangai | Pequim | Montanha de Tianmen | Zhangjiajie | Chengdu | Chongqing | Fenghuang | Furong
🚆 Melhor forma de deslocação na China: Os comboios de alta velocidade ligam as principais cidades deste roteiro. Podem reservar os bilhetes na app oficial 12306, mas recomendo o site da Trip.com já que é muito mais fácil de usar. Para distâncias mais longas, o avião é também uma excelente opção.
⌛ Quantos dias ficar na China: 14 dias é o ideal para uma primeira visita, com tempo suficiente para explorar grandes cidades, natureza e locais culturais sem correrias.
🍜 Tours mais populares na China
1. Tour guiada da Cidade Proibida em Pequim
2. Tour guiada de Mutianyu, incluindo transporte a partir de Pequim
3. Visita guiada de Xangai
4. Assistir espetáculo de ópera Sichuan
😴 Onde dormir na China
Xangai – Campanile Shanghai Natural History Museum Hotel
Pequim – Sunworld Hotel Wangfujing
Parque Nacional de Zhangjiajie – Bei’an Qingshe Holiday Inn
Montanha de Tianmen – Hotel California Zhangjiajie
Chengdu – Local Tea Hostel Poshpacker
Chongqing – SSAW Hotel Jiefangbei Hongyadong Branch
Guilin – Xingping Inn
Furong – Tuwang Palace Waterfall Inn
💸 Como pagar na China: É um país onde praticamente não se usa dinheiro físico. Vão precisar de Alipay ou WeChat Pay para fazer compras em todo o lado. Usem o Revolut para pagar em yuan e evitar o pagamento de taxas adicionais.
💊 Melhor seguro de viagem para a China – Recomendo a Heymondo pois tem uma excelente relação qualidade-preço.
🛜 Melhores opções para ter internet – Se o vosso telemóvel permitir a utilização de eSIM, recomendo a Airalo (MARIAN4315 = 3$ de desconto na 1ª compra). Caso contrário, optem por um cartão SIM da China Unicom ou China Telecom. E não se esqueçam de um VPN para acederem a apps como o WhatsApp e o Instagram.
Quantos dias na China?
A China é enorme, e podiam passar meses (ou até anos) a explorá-la e continuar a sentir que só viram uma pequena parte.
Mas há que começar por algum lado! Este roteiro de 2 semanas na China foi pensado para vos dar uma ótima primeira impressão do país, sem cair na tentação de querer ver tudo de uma vez.


Este percurso foca-se numa combinação dos melhores lugares para quem visita a China pela primeira vez.
Vão mergulhar na história milenar em Pequim, descobrir paisagens naturais incríveis em Zhangjiajie e Guilin, e terminar entre arranha-céus modernos em Xangai ou Chongqing. É um bom equilíbrio entre cultura, natureza e energia urbana.
Uma coisa que surpreende muita gente é como viajar pela China se torna fácil assim que percebem como funcionam os comboios. Os comboios de alta velocidade são rápidos, limpos e super eficientes e tornam até as distâncias maiores muito mais acessíveis.
Se não sabem bem por onde começar, escrevi um guia passo a passo sobre como comprar bilhetes de comboio na China. Recomendo que o leiam antes de irem.
Embora 14 dias não cheguem para ver tudo (nem perto disso!), são suficientes para uma primeira experiência marcante no país.

A sensação que tive foi de estar a descobrir uma nova faceta do país a cada dia e foi essa variedade que tornou esta viagem tão especial para mim.
E, sendo sincera? Mal posso esperar por voltar. Há tantos sítios incríveis na China que ainda não tive tempo de explorar… o que, convenhamos, é a desculpa perfeita para regressar lá.
Como chegar à China
Dado o tamanho do país, existem vários aeroportos internacionais para onde podem voar. Para quem visita a China pela primeira vez, as opções mais comuns são Pequim e Xangai. Ambas as cidades têm aeroportos internacionais de grande dimensão com voos frequentes a partir da Europa, dos Estados Unidos e do Sudeste Asiático.
Se estiverem a planear uma viagem com várias paragens na China, recomendo que voem para uma cidade e regressem de outra. Por exemplo, chegar a Pequim e voltar a partir de Xangai. Isto poupa tempo e evita deslocações desnecessárias.
Há muitas rotas de longo curso operadas por companhias como a Air China, China Eastern, Qatar Airways, Emirates e Singapore Airlines.
💼 SEGURO DE VIAGEM: É daquelas coisas que esperamos nunca precisar… mas que pode poupar muito dinheiro e dores de cabeça se algo correr mal.
Eu uso a Heymondo porque tem uma boa cobertura a um preço acessível, incluindo despesas médicas, perda de bagagem e equipamentos eletrónicos.
O que mais gosto é a facilidade de gerir tudo através da app, sobretudo se precisarem de assistência durante a viagem.
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Atividades & Tours mais populares na China
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Roteiro de 2 semanas na China – Mapa
Antes de entrarmos nos detalhes de cada dia, partilho uma visão geral rápida para perceberem melhor o percurso desta viagem. Este mapa ajuda a visualizar onde fica cada destino no país.


Vão reparar que o mapa mostra distâncias aproximadas de carro entre os locais, mas a ideia não é viajar de carro. Ao longo deste roteiro, vão usar comboios de alta velocidade e voos internos — as formas mais eficientes e confortáveis de se deslocarem na China. Por isso, mesmo que as distâncias pareçam grandes, não se deixem assustar.
A verdade é que as deslocações entre cidades na China não são tão complicadas quanto parecem.
📌COMO USAR O MAPA: Clicar no canto superior esquerdo para aceder às várias visões (layers) do mapa. É possível selecionar as visões que pretendemos visualizar e também obter mais informação sobre cada um dos pontos de interesse, clicando no mesmo na barra lateral esquerda ou sobre o pin no mapa. Adicionem o mapa ao vosso Google Maps, clicando na estrela junto ao título. Para aceder ao mapa, basta ir aos Guardados do Google Maps e clicar em Mapas!
Resumo rápido do roteiro de 2 semanas na China
Aqui fica uma visão geral de como este itinerário de 14 dias pela China está estruturado.
Vão aterrar em Xangai, atravessar algumas das regiões mais cénicas e culturais do sudoeste da China e terminar na capital, Pequim.
- Dia 1–2: Chegada e explorar Xangai. Voo para Zhangjiajie ao final do Dia 2
- Dia 3: Visita à Montanha Tianmen, comboio para Fenghuang, pernoitar em Fenghuang
- Dia 4: Manhã em Fenghuang, comboio para Furong, pernoitar em Furong
- Dia 5: Comboio para Zhangjiajie e visita parcial ao parque nacional
- Dia 6: Dia completo no Parque Nacional de Zhangjiajie
- Dia 7: Comboio para Guilin, explorar de Guilin (Xingping) ao final do dia
- Dia 8: Dia para explorar Guilin (Xingping)
- Dia 9: Comboio para Chongqing, início da visita à cidade
- Dia 10: Chongqing. Comboio para Chengdu ao final do dia
- Dia 11: Explorar Chengdu e voo para Pequim no final do dia
- Dias 12–14: Explorar Pequim, incluindo um dia para visitar a Grande Muralha da China.
2 semanas na China: plano dia a dia
Dias 1 e 2: Xangai
- ✈️ Chegada: Xangai (Aeroporto PVG ou SHA)
- 🚆 Melhor forma de deslocação: Metro para a maioria dos trajetos e DiDi (tipo Uber) para distâncias mais longas
- 😴 Onde dormir: Xangai na primeira noite (Campanile Shanghai Natural History Museum Hotel), Zhangjiajie na segunda noite (Hotel California Zhangjiajie)
- ✈️ Final do Dia 2: Voo para Zhangjiajie ao final do dia
Xangai é o tipo de cidade que nos surpreende com os seus contrastes mal chegamos. Num momento estamos a passear por jardins clássicos e tranquilos, no seguinte estamos rodeados de arranha-céus imponentes.
No primeiro dia, comecem pelo People’s Park. Se estiverem por lá ao fim de semana, podem ter a sorte de assistir ao famoso “Mercado dos Casamentos” — um dos momentos culturais mais curiosos que vivi na cidade.


Mais tarde, sigam até ao Templo Jing’an. Adorei o contraste entre os telhados dourados a brilhar e as torres de vidro modernas ao redor. Este é um daqueles lugares que nos faz mesmo parar para absorver o momento.

À medida que o primeiro dia termina, vão até The Bund. Foi um dos meus momentos preferidos em Xangai. Estar ali a ver o distrito de Pudong a iluminar-se enquanto escurecia pareceu-me surreal. Confesso que não esperava que fosse tão bonito, mas adorei a forma como as luzes refletem no rio.
No segundo dia, visitem o Jardim Yu e a Yuyuan Old Street. Sim, são locais turísticos e podem encher bastante, mas há algo de especial em passear por ali.


A seguir, sigam para a Concessão Francesa, uma zona onde o ritmo abranda e as ruas ficam mais acolhedoras. Adorei esta parte da cidade pelos cafés e pelo ambiente mais tranquilo.
Xangai é enorme, mas é muito fácil de explorar. O metro é rápido e simples de usar, e quando precisarem de ir mais longe, o DiDi funciona como o Uber.
👉 Ler mais: roteiro de 2 dias em Xangai
Na noite do segundo dia, sigam para o aeroporto e apanhem um voo para Zhangjiajie. Os voos costumam durar cerca de 2 horas. Chegar à noite funciona bem, pois assim descansam e acordam prontos para explorar a Montanha Tianmen na manhã do dia seguinte.
Dia 3: Montanha Tianmen, comboio para Fenghuang e início da visita a Fenghuang
- 🚶 Melhor forma de deslocação: Teleférico e caminhada em Tianmen, só a pé em Fenghuang
- 🚆 Transfer: Comboio de alta velocidade à tarde de Zhangjiajie para Fenghuang (cerca de 1h)
- 😴 Onde dormir: Fenghuang (Phoenix Qingcheng Mountain Water)
O dia começa cedo em Zhangjiajie com uma visita à Montanha Tianmen.
Subir naquele que é um dos teleféricos mais longo do mundo vai ser daqueles momentos da vossa viagem à China que não vão esquecer. No topo, irão encontrarm falésias, passadiços de vidro, uma vista sobre a estrada das 99 curvas e tudo vai parecer ter sido retirado de um sonho.


Segui o Percurso A, que começa com o grande teleférico, continua pelos trilhos nas falésias do cimo da montanha, e desce até à famosa Porta do Céu (Heaven’s Gate) — o famoso arco esculpido na montanha.
Os passadiços envidraçados foram uma das minhas partes preferidas. Não pela adrenalina (que não é assim tanta), mas pela sensação de imensidão e liberdade de ver tudo a perder de vista sob os pés.
Se estiverem a seguir este roteiro, este é o primeiro dia que inclui paisagens naturais inesquecíveis.
👉 Ler também: Como planear uma visita à Montanha de Tianmen
No início da tarde, voltem à cidade e apanhem o comboio para Fenghuang. A viagem demora cerca de 1 hora.
Fenghuang foi uma surpresa. Não esperava gostar tanto. Sim, é turística. Mas as paisagens com o rio Tuojiang e as casas de madeira sobre estacas são mesmo de tirar o fôlego.

Adorei simplesmente caminhar ao longo da margem do rio, atravessar a ponte de pedras e observar o dia a dia desta vila a fluir devagar.
Aqui não há pressas. O segredo é mesmo deixarem-se levar e vaguear sem grande destino em mente.
👉 Ler também: Melhores coisas a fazer em Fenghuang
Dia 4: Explorar mais um pouco de Fenghuang, comboio para Furong e visita a Furong
- 🚶 Plano para a manhã: Passeio tranquilo junto ao rio em Fenghuang
- 🚆 Transfer: Comboio para Furong (cerca de 30 a 40 minutos)
- 🌉 Tarde: Visitar Furong e a sua cascata
- 😴 Onde dormir: Furong (Tuwang Palace Waterfall Inn)
Comecem o dia a explorar mais um pouco de Fenghuang, mas sem pressas. As primeiras horas da manhã são perfeitas para passear ao longo do rio Tuojiang. A luz da manhã faz com que as casas sobre estacas refletidas na água pareçam ainda mais mágicas.
Ao final da manhã, sigam para a estação de comboios e apanhem o comboio para Furong. A viagem é curta e chegar no início da tarde dá-vos bastante tempo para explorar.


Furong é mais pequena do que Fenghuang e tem um ambiente mais calmo. O grande destaque é a cascata que atravessa o centro da vila. Pode parecer simples, mas vê-la ali, encaixada entre as casas, é algo quase irreal.
Tal como em Fenghuang, Furong ganha um charme especial ao cair da noite. As lanternas refletem-se na água e tudo abranda.
Dormir no centro histórico foi, na verdade, um dos momentos mais especiais desta viagem à China. Acordar com vista para a cascata foi mesmo inesquecível.
👉 Ler também: O que fazer em Furong
Dia 5: Comboio para Wulingyuan e começar a visitar o Parque Nacional de Zhangjiajie
- 🚆 Transfer: Comboio de Furong para Zhangjiajie (normalmente até à estação Zhangjiajie West)
- 🚶 Tarde: Começar a visitar o Parque Florestal Nacional de Zhangjiajie
- 😴 Onde dormir: Wulingyuan (Bei’an Qingshe Holiday Inn)
Deixem Furong de manhã e apanhem o comboio para Zhangjiajie. A viagem é tranquila e, à chegada, sigam para Wulingyuan — a vila mesmo ao lado da entrada do parque.
Ficar aqui é uma enorme vantagem em termos de logística e irá poupar-vos bastante tempo em deslocações.
Se chegarem cedo, aproveitem parte da tarde para dar os primeiros passos dentro do Parque Nacional de Zhangjiajie. Mesmo algumas horas neste cenário já são deixar qualquer um boquiaberto.


As paisagens com pilares de arenito são completamente únicas. É este o local que inspirou as montanhas flutuantes do filme Avatar. E ver essas formações rochosas ao vivo foi um dos meus momentos preferidos da viagem.
Esta primeira tarde não é para andar a correr ou tentar ver tudo. Vejam-na como uma introdução tranquila a um dos cenários naturais mais icónicos da China.
Escolham uma zona fácil e acessível para começar. Por exemplo, o trilho do Golden Whip Stream é uma ótima opção. O caminho é bonito e sereno, com falésias de ambos os lados ao longo do percurso. Um passeio calmo, envolvente e perfeito para começar.
O dia seguinte será dedicado ao parque, por isso não há pressa. Aproveitem esta tarde para entrar no ritmo e absorver o ambiente.
👉 Ler também: Como planear o roteiro perfeito no Parque de Zhangjiajie
Dia 6: Dia completo para explorar o Parque Nacional de Zhangjiajie
- 🚶 Atividade principal: Dia inteiro no Parque Florestal Nacional de Zhangjiajie
- 😴 Onde dormir: Wulingyuan (Bei’an Qingshe Holiday Inn)
Este dia do roteiro é inteiramente dedicado à descoberta do Parque Nacional de Zhangjiajie. É, sem dúvida, uma das atrações mais impressionantes da China e, honestamente, uma das paisagens mais memoráveis que já vi.
Os pilares de arenito gigantes, os desfiladeiros e os miradouros envoltos em neblina fazem com que este local pareça saído de outro mundo.
Existem muitos trilhos, teleféricos e autocarros internos no parque, por isso é mesmo importante ter um plano para aproveitar bem o tempo.

Recomendo que concentrem o vosso dia nas zonas de Yuanjiajie e da Montanha Tianzi. Estas áreas oferecem algumas das vistas mais emblemáticas e são ideais se só tiverem um dia completo para o parque. Aqui encontram miradouros amplos, penhascos e as formações rochosas icónicas que tornaram Zhangjiajie famoso.
Um dos pontos altos do dia é o miradouro da Avatar Hallelujah Mountain. É espetacular, mas costuma encher e, por isso, se puderem, cheguem cedo. O teleférico da Montanha Tianzi é também uma ótima forma de poupar tempo e energia, ao mesmo tempo que vos oferece vistas panorâmicas incríveis.


Zhangjiajie pode parecer um pouco confuso ao início (o parque é mesmo grande), mas depois de perceberem como funcionam os autocarros internos, os teleféricos e os trilhos, tudo se torna bastante mais fácil.
No meu guia detalhado sobre Zhangjiajie, partilho o percurso exato que segui, incluindo que caminhos escolher, por onde começar e como evitar filas.
Dias 7 e 8: Comboio para Guilin (Xingping) e explorar Xingping
- 🚆 Dia 7: Dois comboios até Xingping (cerca de 7h no total)
- 🚶 Melhor forma de deslocação: A pé, em Xingping
- 😴 Onde dormir: Xingping (Xingping Inn)
O Dia 7 é, maioritariamente, um dia de viagem e não há como fugir a isso. A viagem de comboio até Guilin é longa (cerca de sete horas), mas bastante confortável. Aproveitei para descansar, olhar pela janela e abrandar um pouco depois dos dias anteriores intensos.
Ao chegarem a Guilin, lembrem-se que “Guilin” é mais do que apenas a cidade. É toda uma região conhecida pelas montanhas cársicas, rios sinuosos e aldeias tranquilas no campo.


A maioria dos viajantes escolhe ficar entre Yangshuo (mais desenvolvida, com cafés e alguma vida noturna) e Xingping, que ainda conserva um ambiente mais autêntico e de vila pequena. Depois de muita pesquisa, decidi ficar em Xingping e ainda bem que o fiz.
Se também optarem por Xingping, ao chegarem a Guilin, apanhem um segundo comboio (rápido e fácil) até lá.
Assim que chegarem, deixem as malas no alojamento. Fiquei mesmo no centro, no Xingping Inn, e foi, provavelmente, o melhor hotel desta viagem.
Este já será um dia longo, por isso aproveitem o resto da tarde para passear tranquilamente pelas ruas antigas de Xingping. O centro histórico é pequeno e isso é parte do encanto. Façam uma caminhada tranquila, escolham um restaurante local para jantar e deixem-se envolver pelo ambiente da vila.
Comecem o oitavo dia com mais uma caminhada pela vila. As manhãs são perfeitas: as lojas estão a abrir, as ruas estão calmas e a luz é suave.

Apesar de existirem vários miradouros em Xingping, decidimos subir ao Damianshan. E foi, sem dúvida, uma das experiências mais marcantes da viagem.
Para chegar lá, primeiro é necessário atravessar o rio de ferry. Esta é uma travessia de 2 a 3 minutos, que custa menos de 1€.
Do outro lado, estava uma senhora à espera e ofereceu transporte até ao início do trilho. Aceitámos e pagámos cerca de 12€ (ida e volta para duas pessoas). Olhando para trás, valeu muito a pena, pois o trilho não começa junto ao rio e esta boleia poupou-nos bastante esforço.
O trilho é muito inclinado do início ao fim. A subida levou-nos cerca de 35 a 45 minutos e foi exigente. Mas assim que se chega ao topo e se vê o rio Li a contornar as montanhas cársicas… tudo faz sentido. É daquelas vistas que nos deixam sem palavras por uns instantes.
Foi, sem dúvida, um dos meus momentos favoritos desta viagem.

À tarde, podem optar por outro trilho (como o Laozhai ou o Xianggong Hill), mas nós estávamos cansados e preferimos abrandar. Passámos o resto do dia a aproveitar as ruas de Xingping, a petiscar qualquer coisa, a sentar-nos junto ao rio e a absorver o momento.

Antes do pôr do sol, considerem um passeio de barco pelo rio Li. Não precisa de ser longo já que até uma travessia curta é mágica àquela hora do dia. Se quiserem algo mais prolongado, há passeios até Yangshuo, mas a verdade é que as paisagens em Xingping já são bem bonitas.
Dia 9: Comboio para Chongqing e início da visita à cidade
- 🚆 Como chegar: Comboio de alta velocidade de Guilin para Chongqing (cerca de 4h30 a 5 horas)
- 😴 Onde dormir: Chongqing (SSAW Hotel Jiefangbei Hongyadong Branch)
Hoje é dia de viajar até Chongqing, uma das cidades mais fascinantes da China. A viagem é longa, mas bastante confortável. E assim que saírem da estação e virem Chongqing pela primeira vez, vão perceber porque é que esta cidade está a ganhar cada vez mais destaque.
Chongqing é muitas vezes chamada de “cidade cyberpunk” da China. Está construída de forma vertical, a subir pelas encostas e com diferentes níveis de ruas e bairros. Muitas vezes, pensamos que estamos ao nível do chão, mas há estradas inteiras e zonas residenciais por baixo dos nossos pés.

O que realmente distingue a cidade é o contraste entre o dia e a noite. Durante o dia, Chongqing é intensa e caótica — ruas inclinadas, metros a atravessar os prédios, escadarias sem fim. Mas à noite, o céu ilumina-se por completo. Vale muito a pena ver estas duas versões da cidade.
Consoante a hora de chegada, recomendo começar com um passeio pela Longmenhao Old Street — uma das zonas mais tranquilas de Chongqing, com casas tradicionais, casas de chá e vistas incríveis sobre o rio. É um bom ponto de partida para entrar no ritmo da cidade.


Ao final da tarde, sigam em direção à Gruta Hongyadong e à Ponte Qiansimen. Tentem chegar a tempo de ver o momento em que as luzes da gruta começam a acender. É aí que a cidade se transforma e é exatamente quando vale a pena percorrer aquela zona.
Para jantar, experimentem o famoso hotpot de Chongqing. É um dos pratos mais emblemáticos da cidade. Pode ser bem picante, mas também dá para pedir um caldo não picante. É uma refeição divertida, partilhada e que encaixa perfeitamente na energia desta cidade.
Se tiverem sorte, podem até assistir a um dos espetáculos de drones de Chongqing, onde milhares de drones desenham padrões e animações sobre o céu da cidade. Não acontecem todas as noites, mas se houver um durante a vossa estadia, vale mesmo a pena ficar a ver.
👉 Ler também: O que fazer em Chongqing
Dia 10: Continuar a explorar Chongqing e comboio para Chengdu
- 🚆 Comboio: Chongqing para Chengdu (cerca de 2 horas)
- 😴 Onde dormir: Chengdu (Local Tea Hostel Poshpacker)
Se o dia anterior foi dedicado às luzes neon e aos arranha-céus, hoje podem aproveitar um lado mais calmo de Chongqing antes de seguirem viagem para Chengdu.
Comecem a manhã no Parque Eling, que tem uma das melhores vistas sobre a cidade. É um contraste perfeito com a energia que se vive lá em baixo.

Depois, sigam até à Estação Liziba, onde o metro atravessa literalmente um prédio. É daquelas imagens que nos fazem pensar “como é que isto é real?” e que mostram bem o carácter único de Chongqing.
Para o almoço e uma última amostra da cidade, vão até Jiefangbei, o coração moderno de Chongqing. Ruas cheias de movimento, painéis luminosos por todo o lado e muitas opções para comer.

Durante a tarde, apanhem o comboio de alta velocidade para Chengdu.
Quando chegarem, deixem as mochilas no alojamento e aproveitem para fazer um passeio descontraído pela cidade. Sugiro visitar:
- Kuanzhai Alleys: becos tradicionais com pátios, lojinhas, cafés e um ambiente muito tranquilo para passear sem pressa
- People’s Park: ideal para tomar um chá, observar jogos de mahjong e ver o dia a dia dos habitantes de Chengdu
- Rua Jinli: especialmente bonita à noite, com lanternas, snacks de rua e um ambiente animado e acolhedor

Se ainda tiverem energia, passem por Chunxi Road. Lá irão encontrar luzes, lojas, o famoso panda gigante a escalar o prédio e uma animação 3D surpreendente num dos ecrãs ao longo da rua.
E se ainda estiverem com vontade de passear mais um pouco, apanhem um DiDi até à Tower of Life, para ver outro dos locais icónicos de Chengdu antes de regressarem ao hotel para descansar.
Dia 11: Explorar Chengdu e voo para Pequim
- 🚶 Melhor forma de deslocação: A pé para distâncias curtas, DiDi ou metro para trajetos mais longos
- 😴 Onde dormir: Chengdu (Local Tea Hostel Poshpacker)
- ✈️ Voo para Pequim ao final do dia
Sejamos sinceros: ver pandas é, provavelmente, o principal motivo pelo qual tanta gente inclui Chengdu num roteiro pela China.
Por isso, comecem o dia bem cedo na Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding. Quanto mais cedo forem, melhor. É de manhã que os pandas estão mais ativos.

Reservem pelo menos metade do dia para explorar o parque. É maior do que parece, mas fácil de circular, e até tem um serviço de shuttle para facilitar.
Depois de visitarem os pandas, voltem ao centro da cidade.


Se gostam de sítios culturais e tranquilos, visitem o Mosteiro Wenshu — um dos locais mais serenos de Chengdu, com pátios com cheiro a incenso e alguns locais a rezar. Em alternativa, o Templo Memorial Wuhou é uma ótima escolha se preferirem história e arquitetura. Fica mesmo ao lado da Rua Jinli, por isso podem juntar os dois num só passeio.
👉 Ler também: Roteiro de Chengdu
Ao final da tarde, sigam para o aeroporto e apanhem o voo para Pequim, onde começa o capítulo final desta aventura de 2 semanas na China.
Dias 12 -14: Pequim
- 🚶 Melhor forma de deslocação: A pé na maioria do tempo. DiDi e metro/autocarros para distâncias maiores
- 😴 Onde dormir: Sunworld Hotel Wangfujing
Pequim é onde esta viagem termina, mas, de certa forma, é onde a história da China ganha vida. Palácios imperiais, bairros antigos, enormes praças públicas… tudo aqui tem uma escala impressionante.
Sentem logo o contraste com Xangai: Pequim é mais lenta, mais carregada de história e as atrações ficam mais afastadas umas das outras.
Dia 12 – Cidade Proibida e Praça Tiananmen
Comecem a manhã na Praça Tiananmen. É um local icónico, mas também simbólico — vasto, aberto e sempre com movimento. Mesmo em frente está a entrada da Cidade Proibida, o grande destaque do dia. É enorme, por isso reservem algumas horas para percorrer palácios, pátios e portões vermelhos.

A saída fica do lado norte, junto ao Parque Jingshan. Se ainda tiverem energia, vale a pena subir até ao miradouro para uma vista panorâmica sobre a Cidade Proibida. O miradouro é especialmente bonito ao pôr do sol.
À noite, sigam até à zona do lago Houhai ou à rua Nanluoguxiang para jantar e passear.
👉 Ler também: Roteiro de 3 dias em Pequim
Dia 13 – Muralha da China em Mutianyu (dia completo)
Visitar a Grande Muralha é um dos pontos altos de qualquer viagem à China.
Fui à secção de Mutianyu e recomendo-a em vez da mais turística Badaling. Tem menos turistas, é mais fácil de percorrer e tem vistas deslumbrantes.
Fui de DiDi desde Pequim (cerca de 1h30 para lá e mais tempo no regresso por causa do trânsito). Se preferirem algo mais organizado, há shuttles diretos como o MuBus, ou podem juntar-se a uma tour.


Ao chegar, apanham um autocarro para a base da muralha e depois têm várias opções para subir. Recomendo o teleférico, pois poupa energia e oferece vistas incríveis já na subida.
O momento em que saí do teleférico e pisei a muralha foi surreal. Caminhei até às torres de vigia mais altas, parando para respirar, tirar fotos… muitas fotos.

Na descida, optei pelo tobogã, e foi tão divertido como dizem. Estava nervosa ao início, mas depois adorei. É uma forma única e memorável de terminar a visita.
Contem passar pelo menos 3 horas a visitar a muralha. Vão cedo para evitarem filas e calor!
👉 Ler também: Planear uma visita a Mutianyu
Dia 14 – Palácio de Verão, Templo do Céu e Hutongs
Comecem o último dia na China com uma visita ao Palácio de Verão, um dos jardins imperiais mais bonitos do país. É enorme, fica junto a um lago, e é bem mais tranquilo do que outros pontos turísticos da cidade. Se quiserem, podem fazer um passeio de barco no lago.


Depois, sigam para o Templo do Céu. O templo em si é lindíssimo, mas o que torna este lugar especial é o parque à volta. Vão ver locais a dançar, jogar cartas, praticar tai chi e conversar à sombra das árvores.
De lá, podem visitar o Templo Lama (Yonghegong) — um templo budista tibetano muito sereno — e a poucos minutos a pé encontram também o Templo de Confúcio.

Para terminar, percam-se pelos hutongs perto das Torre do Tambor e Torre do Sino. Andem sem pressa pelas ruelas, entrem numa casa de chá, descubram lojinhas e aproveitem o ambiente calmo. É o sítio ideal para relaxar antes de seguir para o aeroporto.
Melhor altura para visitar a China
A melhor altura para visitar a China é na primavera (abril a junho) e no outono (setembro a outubro). As temperaturas são amenas, o céu tende a estar mais limpo e é muito mais agradável tanto para explorar as cidades como para fazer atividades ao ar livre.
O verão pode ser muito quente e húmido, especialmente no sul do país, e é também uma das épocas com mais turistas. Já o inverno é frio (e em algumas regiões, mesmo muito frio), mas pode ser uma boa opção se procuram preços mais baixos e menos multidões.
Uma dica muito importante: evitem ao máximo os feriados nacionais chineses, sobretudo:
- Ano Novo Chinês (janeiro ou fevereiro)
- Golden Week (1 a 7 de outubro)
- Feriado do Dia do Trabalhador (1 a 5 de maio)
Visitei durante o feriado do Dia do Trabalhador e foi caótico. As estações de comboio, os parques nacionais e até vilas mais pequenas estavam absolutamente cheias. Chegou a um ponto em que era difícil até circular. Não é, de todo, a experiência que se quer numa viagem.
Se for a vossa primeira vez no país, recomendo dar uma vista de olhos no meu guia completo com dicas práticas para a China, que inclui sugestões de itinerário, conselhos culturais e notas sobre o clima. Vai ajudar bastante no planeamento.
Melhor forma de deslocação na China
Enquanto turistas, não podemos conduzir na China. Assim, a melhor forma de viajar pelo país é de comboio ou em voos domésticos.

A boa notícia? A rede de comboios de alta velocidade na China é excelente. São rápidos, pontuais, limpos e ligam praticamente todos os destinos deste roteiro. Na maioria das vezes, são até mais cómodos e práticos do que voar.
Para distâncias mais longas ou se quiserem poupar tempo, os voos internos também são uma ótima opção e costumam ter preços acessíveis.
👉 Ler também: Como viajar de comboio pela China
Dicas práticas para quem visita a China pela primeira vez
Para tornar o vosso roteiro pela China mais fácil e tranquilo, aqui ficam algumas dicas úteis que gostava de ter sabido antes de ir:
- Requisitos de entrada: Muitas nacionalidades já têm acesso a entrada sem visto na China, o que facilita imenso o planeamento. Confirmem sempre as regras atualizadas antes do voo, porque as políticas podem mudar.
- Apps essenciais: Vão precisar de algumas apps para usar os transportes, tradução e pagamentos. Partilhei tudo no meu guia sobre apps indispensáveis na China.
- Como ter internet na China: Vão precisar de dados móveis quase constantemente — para mapas, pagamentos e traduções. Recomendo usar um eSIM. Podem ver a minha experiência com a Airalo na China.
- Dinheiro: A moeda é o yuan chinês (CNY). Não precisam de andar com dinheiro, já que praticamente tudo, desde restaurantes a bancas de rua, aceitam Alipay ou WeChat Pay. Usei o Revolut para evitar taxas de conversão.
- Idioma: Fora de cidades grandes como Pequim e Xangai, quase ninguém fala inglês. Uma app de tradução vai ser a vossa melhor aliada.
- Mapas: O Google Maps não funciona bem em várias zonas. Usem o Amap (Gaode Maps) para direções mais precisas.
- É seguro visitar a China? Eu senti-me extremamente segura, tanto de dia como à noite.
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Reflexões finais sobre este roteiro pela China
Se estão a planear a vossa primeira viagem à China, este percurso oferece um ótimo equilíbrio entre cultura, natureza, gastronomia e vida citadina. Junta maravilhas antigas, paisagens montanhosas, vilas históricas e algumas das cidades mais interessantes do país.
Para mim, o que tornou esta viagem tão marcante foi o contraste constante. Num dia estava entre os penhascos imponentes de Zhangjiajie, e dias depois estava a passear pelas ruas iluminadas de Chongqing ou a beber chá num parque tranquilo em Chengdu.


Essa mudança de ritmo, de ambiente e de energia é o que torna este roteiro tão especial para uma primeira visita … permite-vos ver várias faces da China num só percurso.
E a verdade? Mesmo depois de duas semanas, fiquei com vontade de voltar. Há sempre mais um trilho na montanha, mais um templo, mais um mercado noturno, mais uma história à espera.
Já visitaram a China ou estão a preparar a vossa primeira aventura neste destino incrível? Qual das paragens deste roteiro vos deixa mais entusiasmados?
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